8 de junho de 2010

Dr. Na bola e simpatia

Matéria de: Danilo Georgete
Humberto Frasson







O Dr. Socrates, capitão da seleção brasileira na Copa de 82, um dos líderes da Democracia corinthiana, eleito pela FIFA um dos 125 melhores jogadores da história do futebol ainda vivos. Concedeu essa entrevista, onde falou sobre diversos assuntos, entre eles Corinthians e seleção brasileira.

Como se sente tendo feito parte daquela seleção da copa de 1982?R: Era um grupo fantástico, mas isso não tem muita importância não. O importante é o que você é, e não o que você faz ou participou.

O Dr. Vê alguma semelhança entre a seleção de 1982 e o movimento das diretas já?
R: Ambos uniram o povo brasileiro, só que na copa foi a arte, o futebol bonito que uniu o povo. Nas diretas já o povo se uniu em busca de seus direitos. A seleção era uma expressão artística que também faz parte da nossa cultura, já as diretas foi um movimento político, a única semelhança entre as duas é mostrar o quanto o povo brasileiro se une. Apesar de hoje em dia o brasileiro só se unir a cada quatro anos no mês da Copa.

Como fica o coração perto da Copa do Mundo?R: Torcendo pelo Brasil. Mas como hoje eu penso em futebol, escrevo sobre futebol, não posso me dar ao luxo de ser fanático. Quem tem visão crítica não pode ter visão apaixonada, tem que ser torcedor uma vez ou outra, apesar de querer ver o Brasil campeão sempre.

Aquele pênalti desperdiçado nas quartas de final da copa de 86 contra a França, foi um dos piores momentos da sua carreira?R: Nada disso! O duro foi perder a mulher que eu amava(risos). Pênalti todo mundo perde, é uma questão de trabalho, isso não vale nada. Entenda o seguinte, é muito mais importante uma lágrima do que um saco de dinheiro, é muito mais importante um carinho, um abraço, do que um gol na Copa do Mundo. É muito mais importante um amor, do que ser campeão do mundo.

A Democracia Corinthiana foi o maior movimento ideológico da história do futebol brasileiro, como esse fato afetou os jogadores do Clube a ponto de uma melhora dentro dos gramados? R: A Democracia corinthiana colocou uma postura educativa no clube, todos tinham o mesmo direito; do roupeiro ao jogador de maior salário, o valor dos votos era igual. Tínhamos uma postura igual a que todo o povo brasileiro queria, de igualdade. E outra, não mudou os jogadores, mudou os dirigentes, isso proporciona uma melhhora tremenda dentro de campo, começamos a jogar livres, sem pressão, tínhamos poder de decisão, isso ajuda o jogador.

O Dr. Acha que hoje o Brasil já é por completo um país democrático?R: Ainda não. Hoje só temos direito a voto, precisamos ter uma democracia social e econômica também, e estamos muito distante disso.
Hoje em dia tem algum jogador que te desperta o interesse de ver jogar?
R: Existe muitos jogadores bons, mas o Paulo Henrique Ganso é um jogador que se diferencia dos outros. É inteligente, enxerga bem os espaços no campo, é bonito de se ver jogar.

Hoje é difícil a torcida criar uma identidade com os jogadores, a culpa é do futebol comercial que existe?R: Hoje o jogador fica muito pouco tempo no clube, não dá pra criar uma paixão, amor, se você fica um dia na casa de alguém, tem que ficar anos. Hoje ninguém para em lugar nenhum é uma rotatividade muito grande, não dá pra criar um sentimento de quem fica 10 ou 15 anos como os jogadores ficavam no passado. A forma de relação clube e jogador atualmente é diferente, e isso tem que ser respeitado.

Falta personalidade nos jogadores atualmente? Já que muitos são manipulados por seus empresários.R: Não é falta de personalidade, é falta de educação. Tem é que dar educação pra esse povo, se não vai ficar por isso mesmo, vão ser manipulados pro resto da vida , e não só por empresários, mas por técnicos, dirigentes e até mesmo os filhos. Às vezes o filho de 3 anos é mais inteligente do que o cara de 30 que vai jogar no seu time, e isso ta claro, tem que educar esse povo, e não são só os jogadores, todos os brasileiros tem que ser educados. E a obrigação é do Estado.

O Dr jogou no Corinthians, Botafogo de ribeirão Preto , Fiorentina, Flamengo e Santos. Qual foi sua maior paixão no futebol?R: O Botafogo foi o clube que comecei, é um carinho especial, é como sua primeira namorada. O Corinthians foi o clube me deu visibilidade, foi aonde cheguei na seleção, foi minha primeira esposa, aquela que deixa marcas profundas no coração. A Fiorentina foi o time que me acolheu na Europa. O Flamengo é o Flamengo, qual jogador não sonha poder vestir a camisa dos clubes com maiores torcidas do Brasil?
Eu vesti as duas. O Santos, era o time que torcia na infância, então teve um sentimento especial. Mas a minha marca é Corinthiana, não que os outros tenham sido piores. Eu me apaixonei por todos.

Como foi conciliar o futebol com o curso de medicina?R: Foi difícil, mas dava mais importância a faculdade, o futebol foi um acidente de percurso na minha vida,um bom acidente por sinal. Só me dediquei mesmo ao futebol depois que concluí a faculdade, não que desprezava os treinamentos, mas sim a importância que eu dava foi maior.

25 de maio de 2010

O jogo arte x o pragmático

Depois de ler o texto opinativo de Humberto Frasson, que fazia uma pequena analogia sobre o jogo entre Santos e Grêmio pela Copa do Brasil, eu fiquei pensando: Será que existe arte e pragmatismo em outros esportes? Mas o que seria "pragmático"? Bom, não é futebol do grêmio. Esse é aguerrido. É diferente.
Pragmático é aquele time que não encanta, e muitas vezes na história do futebol vimos equipes assim serem campeãs. Um exemplo clássico é a Alemanha da Copa de '54, que fez o futebol pragmático ganhar dos "Mágicos Magiares", como era conhecida a famosa seleção húngara de Puskas e companhia.
No Basquete já vimos equipes darem show também. O que falar do “Dream Team” dos Estados Unidos nas olimpíadas de Barcelona (92)? Sim, eu sei que é covardia falar desse time, que é o maior de todos no Basquete, mas ele jogava bonito, dava espetáculo. Assim como a seleção brasileira de '70 (embora eu prefira a de '58 - o que é assunto para outra coluna).
E falando em seleção, a de '82, comandada pelo “mestre” Telê Santana, é a essência do futebol-arte. É uma poesia tão bela quanto às de Vinicius de Moraes. Mas aquele escrete não levou a Copa, só mais um dos pecados do certame da FIFA, assim como foi com o carrossel holandês no mundial de '78.
O "jogo arte" muitas vezes não vence, e as hilárias partidas de tênis do “Fininho” (Fernando Meligenni) só comprovam isso. O argentino erradicado no Brasil, que defendeu as cores verde e amarelo por toda a carreira, chegou a uma semifinal de Rolland Garros e, enquanto dava show, um garoto "manézinho da ilha" dava show na outra chave. Agora, imaginem o que seria da Phillip Chatrier (nome da quadra principal de Rolland Garros), se Guga e Melligeni tivessem disputado a final. Fininho ficou de fora, mas Guga levou para Floripa o primeiro dos três títulos do Grand Slam.
E o pragmático Michael Schumacer, heptacampeão mundial de fórmula 1? É melhor do que Senna, Mansell e Prost? Os três juntos somam um título a mais que Schumi, e davam espetáculo na fórmula 1. Não que Schumacer também não desse ( pois hoje não passa de um figurante dentro da F-1), mas a fama de Dick Vigarista não deixou ele ter o encanto do trio.
A maior incógnita dessa disputa épica entre "jogar o caviar" e "jogar o arroz e feijão" (sem menosprezar o prato preferido do brasileiro, é claro), é saber o que o público mais gosta. Esse ano a final da NBA provavelmente será entre o "Basquete de resultado" do Boston Celtics, contra a estupenda equipe de Kobe Bryant – O Lakers. Os americanos - como os brasileiros - gostam de um jogo bonito.
Hoje, o maior equilíbrio que encontro entre jogo arte e jogo feio, é na equipe da Inter de Milão (campeã de tudo na Europa). Quando precisou dar chutão contra o Barcelona, o fez; e na final da Champions League, jogou feio e bonito ao mesmo tempo.
Arte e pragmatismo andam lado a lado no mundo do esporte e, inevitavelmente, sempre ficam frente a frente.

21 de maio de 2010

Os primeiros passos antes da Copa


A última sexta-feira foi diferente para o povo curitibano, a chegada da seleção brasileira mudou a rotina da capital. Em todos os lugares só se ouve uma assunto: “Pô, será que vamos conseguir ver os jogadores?”.
Na chegada no aeroporto Afonso Pena, os jogadores seguiram da pista para o ônibus, decepcionando cerca de 200 torcedores que se encontravam no saguão do aeroporto. Quando o veículo que levava os jogadores se aproximou do Ct do furacão o povo ficou animado, pediam desesperadamente para que os atletas abrissem o vidro. Todo esforço do público foi em vão, a impressão que deu é que os papéis se inverteram, o povo curitibano tachado de frio foi super caloroso, enquanto a seleção foi extremamente gelada.
Enquanto os amantes da seleção ainda se aglomeravam na entrada do Ct do Caju os jogadores faziam exames físicos. Os treinos aqui em Curitiba serão somente físicos, e os jogadores só devem ir a campo no domingo.
Muitos imaginam o que deve estar acontecendo dentro da concentração, eu tive o privilégio de saber, como podem ver nas fotos exclusivas (pelo menos por enquanto) os jogadores estão trabalhando firme a parte física.
O clima descontraído mostra a união do grupo convocado pelo técnico Dunga, agora é ficar na torcida para que Curitiba possa ter seu pedacinho na história de um título mundial brasileiro... E que venha o Hexa!

5 de maio de 2010

A voz do povo é a voz de Deus? Pro Dunga não!


A cada quatro anos, às vésperas de sair a lista dos selecionáveis brasileiros para a Copa, a história se repete, só os personagens mudam.
Perto da Copa de 70 o Presidente Médici “pedia” o atacante Dadá do Atlético-MG na seleção, o técnico João Saldanha rebateu o pedido e exclamou: “O Presidente escala o ministério e eu a seleção!”. Foi a gota d´água para um técnico que havia chamado o “Rei” de cego, em plena ditadura o comunista Saldanha caiu e entrou em seu lugar Zagallo que sem remediar levou Dadá para a Copa do México.
No último mundial conquistado pelo Brasil, houve um grande apelo para que o baixinho Romário fizesse parte da ‘família Scolari’, mas o gaúcho Felipão não se rendeu ao povo e deixou o herói do Tetra fora do Penta. Hoje perto da convocação do técnico Dunga, o povo clama pelos novos meninos do Santos no grupo canarinho.
Outdors, Músicas e até no carro no carro do piloto Giuliano Losaco da Stock Car aparece o pedido: “Dunga convoca o Neymar!”. A nova jóia do futebol brasileiro esta voando, jogando muito mais do que pré-convocados como o ‘Imperador ‘ Adriano. Tudo bem que o garoto não tem experiência , se joga demasiadamente em campo, mas quando pega na bola e parte pra cima dos zagueiros nos remete ao velho esporte bretão, alegre e empolgante.
Já o pedido para o Ganso estar na seleção é mais humilde, mas na minha opinião ele é que mais merece vestir a amarelinha na África do Sul. O Paulo Henrique Ganso é um camisa 10 à moda antiga, clássico e inteligente, que aos 20 anos de idade é o cérebro da equipe mais badalada no momento no futebol brasileiro, além de não sentir o peso de vestir a famosa 10 que já foi de Pelé.
Bravo e turrão, Dunga esta cada vez mais parecido com o Zangado, dificilmente o capitão de 94 vai se render aos encantos do futebol-arte dos jovens. Os meninos (Ganso e Neymar), podem entrar na galeria de jogadores do povo que não foram para a equipe que na tese é pro povo, assim como aconteceu com Falcão(78) e Rivaldo (94).
Deixar Ganso e Neymar fora da Copa é um pecado; Mas hoje na seleção a voz do povo não vale nada e a do Dunga é lei!

4 de maio de 2010

O hippie que virou pop star


Ao chegar no camarim do grupo Jota Quest, encontro o vocalista Rogério Flausino posando para fotos publicitárias, fico no canto e após a sessão de fotos ele senta ao meu lado para começarmos a entrevista. Só que a primeira pergunta foi feita por ele, “Tá nervoso?(risos)” e continua... “Eu sempre fico nervoso, seja antes de show, ou antes de alguma apresentação na TV, radio ou durante uma premiação, é por isso que a gente bebe, acaba relaxando”.
Sempre com um sorriso no rosto Flausino bate um papo descontraído, e acabo esquecendo que estou fazendo uma entrevista. Ao lado da gente se encontram os outros integrantes do grupo; Pj, Marco Tulio, Paulinho Fonseca e Marcio Buzellin.
A vida do vocalista como ele próprio define é um sonho de criança que virou realidade, mas antes de ser integrante de um grupo famoso Rogério ralou muito, trabalhou boa parte da vida como analista de sistemas antes de se dedicar a música. Sua primeira banda foi “Contatos imediados” e tocava em bailinhos na cidade natal do artista, Alfenas.
O vocalista é sempre a figura mais lembrada de um banda, mas Rogério foi o último a entrar no grupo. Após catorze tentativas, entre elas mulheres no estilo Janis Joplin, Negrões com vozes firmes no estilo soul funk, foi o hiponga cantor de regae que teve mais afinidade com os outros integrantes, e o fato do Rogério ter 200 doláres para gravar uma fita demo ajudou.
“Eu tava saindo de um crise hiponga, por que todo mundo passa por uma crise dessas, usar sapatinho de camurça, calça de bali, cabelo raspado, barbixinha e colarzinho paz e amor, tipo fim de carreira”(risos). Rogério que tinha uma ligação zero com a black music, mas muito ligado em rock nacional, a identificação com as idéias do Flausino e uma afinidade pessoal ajudaram a alavancar a carreira da banda.
O grupo estourou com um cd totalmente dedicado ao Black Music, mas foi em 1998 que Rogério se destacou no Brasil, após o lançamento do clássico álbum “De volta ao planeta” onde o grupo inovou e gravou uma música do Rogério em parceria com seu irmão Wilson Sideral, uma balada de violão simplesmente fácil.
Rogério define que cantar no Jota Quest é trabalho e ao mesmo tempo diversão, “quando a diversão sair e ficar só o trabalho não vai dar mais nada certo”, concluí o vocalista. Hoje com 38 anos, casado e pai, Rogério sofre com a perda de audição do ouvido direito, “Já perdi cerca de 25% a 35% da audição do ouvido direito, é justamente no que uso o earphone, essa perda é irreversível, não volta.” Devido a esse problema de saúde o grupo teve que se adequar ao fato de fazer menos barulho, o que é quase inevitável quando se trata de uma banda de pop rock.
Um dos maiores petis do vocalista com o grupo foi quando o som estava muito alto e prejudicando sua audição, “Eu tava estourado já, perdi a cabeça larguei o microfone e fui desligar o amplificador, pô já imaginou ficar surdo? Não dá!”
Após o lançamento do cd “De volta ao planeta” o grupo estourou de vez no cenário nacional, e Flausino descreve esse como um dos piores e melhores momentos da história da banda, “O dinheiro tava pingando na conta, já não dava pra andar na rua, os programas de TV nos convidando a todo momento, e nós queríamos estar em todas...”. É nessa época que as músicas começaram a tocar nas rádios populares, junto com isso tudo veio uma superexposição. “Administrar a vida pessoal junto com o momento do grupo foi a pior parte, a namorada né?... administrar dinheiro, que eu nunca tinha tido.”
Quando o questionou sobre a tal da fama ele responde: “Ah, a tal da fama... ela te traz um monte de coisa boa, mas também traz um monte de coisa que não serve pra nada. Mas é o tal do ‘ver pra crêr’.”
Depois da turbulência de um disco que mudou a história do grupo veio o momento de fazer um novo cd, que em vez de ser feito com calma foi produzido em apenas 4 meses. Na época do lançamento Rogério descreve que foi o momento que ele foi mais criticado, pelas letras do novo cd e pela fama que os críticos falavam que havia subido demais a cabeça dele e do grupo. “Foi um momento que eu não sabia de onde vinham as pedras, o nosso sucesso foi muito rápido aquilo parecia que era um complô pra me derrubar e assim derrubar o Jota”, os releases da época falavam muito dos supercontratos comercias do Rogério, das ruins letras, da superturnê que o grupo iria fazer, e pôr fim os tratavam ironicamente como a superbanda. “Desde então venho tentando mostrar que eu sei que vacilei, que o sucesso realmente subiu minha cabeça e a do grupo, mas que a gente é bom... que a gente é músico mesmo, que não somos um fake.”
Hoje em um momento menos underground Rogério acha que já mostrou para todos que o Jota Quest é realmente uma banda sem maquiagem, o vocalista e compositor que gosta mais das músicas “lados B” terminou exclamando que mostrou que apesar de tudo ele e os outros integrantes do grupo são gente, como todo mundo.
Rogério Flausino é muito carismático, é aquele cara que chega no lugar e logo você sente vontade de cumprimentar, por ser vocalista e ser a pessoa mais assediada do grupo a responsabilidade dele é maior, e consegue fazer o seu papel como ninguém, como os colegas do grupo falam, Rogério é ansioso e sempre pensa na banda. Ele é de uma família altamente musical, seus irmão Sideral e Landau sempre foram um espelho para “Rogerinho”.
Antes de subir ao palco para o show, Rogério olha pra mim e com um sorriso de um garoto que vai tocar pela primeira vez com a sua banda fala: “Será que todo dia vai ser sempre assim?”...

16 de março de 2010

A criação do estereótipo do país do futebol

Qual é um dos primeiros presentes de um menino? Uma Bola. Mas não uma qualquer, uma de futebol!
Será que quando Charles Miller desembarcou no porto de Santos com uma bola de “football” em cada mão, imaginou que estaria marcando época e criando uma identidade nacional? Querendo ou não, transformou o Brasil no país da bola.
Mas é só por isso que temos essa identidade com o futebol? É por causa do Pelé, Garrincha, Ronaldo, Zico...? Os motivos são simples, pode ser resumido em uma frase: Somos PENTA! Mas temos os melhores jogadores do mundo também, e caí entre nós os piores dirigentes!
Os chineses começaram a mania de chutar um objeto esférico, que no começo era a cabeça de um oponente de algum combate,os ingleses gostaram da mania e inventaram o football, que no Brasil, ganhou ginga, malabarismo, alegria... exuberância.
O tom de mestiçagem dado pelo negro foi fundamental para o estilo de jogo do Brasil, logo o negro que era impedido de participar dos primeiros arranca tocos. O coração da negritude brasileira pode ser encontrada na capoeira, que é uma mistura de artes marciais, música, dança e espiritualidade que veio dos escravos trazidos da África. Esta foco da capoeira esta no corpo e dentro dessa cultura, a chave para a compreensão do marcante estilo do futebol nacional.
O brasileiro é muito bom de drible e melhor ainda de finta – que é o uso do corpo sem usar a bola – é um pouco de capoeira, aí seria uma influência africana. De forma que essa mistura de branco, africano, mestiço, resultou em um verdadeiro bailarino, que é o jogador brasileiro.
Infelizmente hoje vemos um embranquecimento do futebol , o que é muito ruim, do ponto de vista do talento e da manifestação do brasileiro miscigenado.
O velho esporte bretão moldou os pensamentos, as visões e a identidade nacional.Seja pelos triunfos ou pelas atribulações o Brasil se tornou símbolo da Copa do Mundo.
Quem pensa que o futebol é só mais um dentre diversos esportes se engana completamente. O futebol brasileiro é cultura, assim como carnaval, festa junina, caipirinha e feijoada.
Aqui é um país onde a imagem de um garoto de favela que cresce e se torna campeão do mundo continua mais forte. Este é o país onde a esperança pode se transformar em realidade e o sonho de todo jovem jogador de futebol é tornar-se o próximo Pelé. Não existe Brasil sem o futebol, e o futebol não existiria sem o Brasil.

13 de março de 2010

Muita hora nessa calma

Quem nunca ouviu a expressão “devagar se vai ao longe” ?. Um ditado incisivo que condensa a sabedoria da experiência.
Mas nem sempre experiência faz a diferença quando falamos de esporte. Veja o caso do “chapeleiro maluco” vulgo Neymar, que vem aprontando todas no Paulistão 2010. A primeira vítima do garoto do Santos foi o “velho” Rogério Ceni que dançou ao som do Harmonia do Samba com a grande música “é paradinha... inha... inha”, a outra vítima do adolescente de 18 anos foi o zagueiro Chicão do Corinthians, que é somente dez anos mais velho que o jovem abusado, no clássico entre os alvinegros, Neymar aplicou um lençol mágico, encantador... Menos para Chicão que ficou bravo, o motivo da bravura do corinthiano foi pelo fato do jogo estar paralizado. Já na sua última travesura o menino extrapolou, usou como vítima o fraco Naviraiense, que foi na cidade de Santos passear e entrar para história, 10 a zero para os meninos da Vila, e Neymar fazendo um gol de placa, de classe, de Pelé!
Mas precisamos ter muita hora nessa calma, sem pressão no Dunga para levar o garoto pra Copa-10, ele não tá pronto, mas em 2014 vai brilhar muito na seleção!
E calma é o que a torcida brasileira vai precisar ter nesse e muito esse ano, já escutei muitas pessoas criticando o desempenho pífio do Bruno Senna na Fórmula 1. Aí volto pro começo, no caso do Bruno o sobrenome pesa sem ele perceber, o jovem piloto não tem culpa de ser sobrinho de um dos mais – se não o maior- gêniais da história do automobilísmo mundial. A Hispania(escuderia do Senna) teve muitas dificuldades e aprontou o carro em cima da hora do primeiro Grande Prêmio, mas é inevitável não lembrar do tio quando se vê o “novo” Senna, capacete parecido e começando no patinho feio do circo da Fórmula 1 também. Para Bruno a experiência vai ser fundamental, quanto mais kilometragem melhor.
E o fator tempo de vida é de suma importância a todos desportistas,mas muitos crescem somento no vigor físico, caso do Ronaldinho Gaúcho que nem de longe lembra aquele menino, muleque, que já aprontou travessuras vestindo a camisa do tricolor gaúcho. Será que foi pelos dribles e a humilhação que ele fez com o Dunga em um GRE-NAL que o comandante do escrete canarinho não ta nem aí pra ele? Acho que não! O Gaúcho ta no momento fora da lista dos 23 selecionáveis por que pecou quando não devia... foi um muleque como diria o Capitão Nascimento do filme Tropa de Elite.
O que Ronaldinho vive hoje se assemelha ao caso vivido pelo levantador Ricardinho antes do Pan do Rio em 2007, quando a infantilidade o fez perder o único título que ainda não havia conquistado na história do voleibol. E que ficou sem conquistar!
Não devemos atropelar o tempo e dar uma de Nostradamus, é melhor vê quem consegue na hora H (seja um pênalti decisivo; um lance livre no último segundo; uma ultrapassagem arriscada; um saque com match point contra... ) quem vai saber separar os homens dos meninos.