Era exatamente 19:30 do dia 21 de julho quando coloquei meus pés no gramado do estádio do Atlético PR, o que seria mais um jogo do campeonato brasileiro, o primeiro jogo do brasileirão que eu iria “trabalhar” como repórter, acabou sendo o decisivo para eu saber se isso é realmente o que quero na minha profissão.
Em meio a outros profissionais de imprensa fico solitário, dessa vez fui sozinho, não tinha os amigos Beto e Miguel juntos comigo... fiquei solitário até a abertura dos portões para o público. Foi aí que começou um sentimento diferente, na arquibancada, na torcida do Santos vejo meus pais e meu irmão... é a primeira vez que vou em um jogo do Santos e não vou assistir ao lado do meu velho. Aceno pra eles de dentro do campo, vejo no sorriso da minha mãe a alegria de ver seu filho realizar um sonho.
Fui até a torcida do Santos e conversei brevemente com minha mãe, depois me debrucei nas polacas de publicidade e fiquei observando estarrecido o que estava acontecendo, eu não acreditava que estava dentro do campo, que estava a passos dos jogadores do meu time de coração, a ficha ainda não tinha caído.
Nisso entra em campo os goleiros do Santos para o aquecimento, antes disso já havia conversado com o Jamelli um dos diretores da equipe alvinegra, mesmo estando longe do meu pai o contado não foi interrompido, existe o celular e quando durante o aquecimento o goleiro Rafael titular do peixe tomou um “peru” meu celular tocou e meu pai foi direto “manda esse bosta aquecer direito”, depois do segundo frango no aquecimento foi a vez de falar “Hoje estamos ferrado”! E não é que meu pai tinha razão!
Já era 21:45, eu já tinha ligado minha máquina fotográfica para dar uma de fã e tirar fotos da equipe do Santos... foi aí que a ficha caiu. Eu ia cobrir o jogo do meu time!
Robinho entra na frente e vai cumprimentar a torcida, eu que não sou bobo corri para fotografar o escrete santista, foi um erro lamentável! Na volta levei cusparadas (nenhuma me atingiu, por sorte) e xingamentos que não cabe falar aqui! Mas assumo que achei isso muito legal!
Saio do campo pois ia ver o jogo dos camarotes... no meio da torcida do atlético, e logo a 1 minuto de partida... Gol do furacão, depois disso o jogo foi acirrado, o Santos não parecia o Santos que encantou o mundo antes da Copa, desfalcado do Ganso perdeu charme no meio campo, e André no banco... deu uma vontade de gritar – Porra Dorival tu é um burro! Mas isso era o de menos vontade mesmo foi mandar o Gaciba lá pra onde Judas perdeu a meia, e gritar pro lateral do Santos o Maranhão que ele é uma merda! Ruim pra cacete!
Mas o pior momento foi quando o Robinho carregou a bola e tocou no meio para o Neymar, Neymar driblou um, dois e chutou pro gol... a bola trisca a trave e sai a torcida do Santso grita Uhhh... e eu no camarote também... pra delírio e fúria da diretoria atleticana que estava nop camarote ao lado... nisso o segurança bate com a mão nas minhas costas... e fala: “O nosso time não é o mesmo... eu também sou santista”, aí me matei de rir!
Foi difícil, no segundo tempo o que meu pai falou aconteceu... frango do goleiro do Santos... com 2 gols contra a vaca já tinha ido pro brejo, mas eu continuava impaciente... minhas pernas balançavam direto, eu roia as unhas, mordia os lábios, estava muito nervoso. Nessa altura já nem lembrava que estava no estádio como imprensa!
Faltando 15 minutos pro termino do jogo eu desci dos camarotes e acompanhei o final da partida dentro do campo, ao meu lado estava o jogador do peixe Zezinho que tinha sido substituído, começamos a conversar e falar sobre o jogo.
O juiz apitou o final e eu pensei agora é a hora de entrevistar o Robinho, no intervalo ele disse que daria entrevistas só no final do jogo, ele passa e eu grudo nele e abrançando ele começamos a conversar... É meio marrento mas gente boa o Robinho! Mais genti boa que ele é o Neymar que vinha de cabeça baixa quando falei “Valeu Ney o importante é a Copa do Brasil”, ele veio em minha direção e meu deu um abraço. Depois disso esqueci que era “repórter” aliás em nenhum momento deixei de ser torcedor, e comecei a dar apoio a todos os jogadores, falava valeu, vamo nessa, ergua a cabeça. Nisso a ficha caiu pela segunda vez, eu tava fazendo o que nunca tinha feito antes apoiar meu time na derrota, fiz e sei que os jogadores estavam escutando, pois com todos que falei me deram a mão e me cumprimentaram!
Qual a sensação de “cobrir” o jogo do seu time de coração? A sensação é um misto de emoção, alegria, raiva e tristeza... alegria por estar ao lado dos jogadores que do time que você torce, alegria por poder falar com eles, raiva por não poder fazer o mais legal de uma partida de futebol, xingar o árbitro, os jogadores da equipe adversária, a torcida adversária, de não poder extravasar geral! Tristeza por não estar na torcida, tristeza por não poder ser torcedor, por mais que fiquei nervoso e soltei um Uhhh, mantive a conduta jornalística a não ser quando pedi pra meio time do Santos uma camisa!
E a imagem que mais me marcou na partida, não foi o abraço que dei no Neymar, muito menso a conversa com Robinho, mas sim no começo do jogo, quando duas crianças que haviam entrado juntamente com os jogadores do furacão saírem correndo e uma abraçar o Robinho e outra o Neymar, foi algo lindo, sinal que no futuro podemos encontrar paz entre as torcidas e que o futebol possa voltar a ser civilizado e que todos possam assistir os jogos misturados como na copa do mundo.
E uma coisa é certa, assistir o jogo do meu time e trabalhar ao mesmo tempo, foi a melhor e pior sensação da minha vida... e que saber: Não vejo a hora do repeteco!
23 de julho de 2010
16 de junho de 2010
Um jovem sexagenário

Essa semana um palco esportivo brasileiro completou 60 anos. Poucos se referem a ele pelo verdadeiro nome, salvo o eterno cronista Nelson Rodrigues e suas narinas de cadáver. A verdade é que o nome não oficial é o mais lembrado. Um vocábulo do idioma tupi-guarani, nome de um pássaro alaranjado e rabugento que, em vez de cantar melodiosamente, prefere imitar o som de um chocalho... Maracanã, “Maraca” para os íntimos!
O gigante de concreto foi construído especialmente para a Copa do Mundo de 1950, o primeiro jogo oficial foi na Copa, vitória brasileira em cima do México. A inauguração ocorreu em 16 de junho de 1950 no amistoso entre sel. Paulista contra Sel. Carioca, a vitória foi dos paulista, mas o meio-campista Didi da equipe carioca foi o primeiro a balançar o barbante do estádio.
A construção durou apenas três meses e foi muito contestada por Carlos Lacerda que na época era inimigo político do prefeito da cidade. Mas a construção era apoiada pelo jornalista Mário Filho, irmão de Nelson Rodrigues. Em homenagem ao seu apoio e seu amor por esportes, Mario foi homenageado tendo seu nome como o oficial do Estádio.
O nosso querido Maracanã não recebe apenas partidas de futebol, em 1983 as seleções de Brasil e União Soviética disputaram uma partida de vôlei no estádio para cerca de 95 mil pessoas, maior público já registrado em uma partida de voleibol, só que não era a primeira vez que o Maracaña era usado para outros esportes, em 1952 a equipe norte-americana de basquete Harlem Globetrotters já havia se apresentado lá.
Além disso, o “Maraca” já viveu momentos inesquecíveis como a abertura e encerramento dos jogos Pan-Americanos de 2007 e, em 2016 vai entrar no hall dos estádios que receberam abertura de Olimpíadas e final de Copa do Mundo, se igualando aos estádios olímpicos de Munique e Roma.
Só que os momentos memoráveis não são feitos só de alegrias, a maior decepção futebolística do país passa por ali, “Só três pessoas calaram o Maracanã com mais de 200 mil pessoas. O Papa João Paulo II, o Frank Sinatra e eu” afirmou o carrasco brasileiro em 1950 Alcides Gigghia. O maracanazo como ficou conhecido aquele 16 de julho de 1950 é a página mais triste do vovó Maracaña.
Mais deixando o tom de tristeza de lado, o estádio já viu dois times brasileiros se sagrarem campeões do mundo, Santos em 1963 contra o Milan e Corinthians em 2001 contra o Vasco. O “Maraca” ainda teve a honra de receber o milésimo gol do Rei, viu Garrincha e suas jogadas que entortavam até o pescoço dos espectadores, e teve suas redes balançadas por exatas 333 vezes com gols do Zico o maior artilheiro do estádio.
Eu como todo menino que já sonhou em jogar futebol, já me imaginei marcando um gol na final da Copa do Mundo no Maracanã. Como não deu, fica o consolo expressado pelo grito das torcidas: O Maraca é nosso!
11 de junho de 2010
Pelé e Mané... Kaká e Robinho...
O que Garrincha, Pelé, Kaká e Robinho possuem em comum? Não são os respectivos números da camisa amarelinha... 10 e 11. O rei e o Anjo das pernas tortas nunca perderam uma partida jogando juntos pelo escrete canarinho. Kaká e Robinho também não – vale frisar que isso é na “Era Dunga”.
A dupla que conquistou os mundiais de 58 e 62, jogou 40 partidas pela seleção, obtendo trinta e cinco vitorias e cinco empates. A dupla do século 21, sob a batuta do técnico Dunga, jogou trinta e duas vezes, com 28 vitórias e quatro empates. O retrospecto das duplas é quase igual, tirando o fato dos títulos mundiais de Mané e Pelé.
Nessa Copa, Robinho e Kaká podem se consagrar como astros eternos do futebol brasileiro e ser mais uma dupla histórica de títulos mundiais, como: Bebeto e Romário em 94; Pelé e Jairzinho em 70 ; Ronaldo e Rivaldo em 2002.
Mas o fato do Kaká não estar 100% preocupa o povo brasileiro, no caso (torço para que não aconteça) do astro de Real Madrid não conseguir jogar a Copa inteira, Robinho estaria preparado para ser o que Garrincha foi em 1962 quando Pelé se machucou? Eu acho que sim, Robinho vem voando e sendo decisivo na seleção, assim como Mané, faz arte com a bola nos pés, deixando a zaga adversária preocupada e abrindo espaços para os companheiros.
Como não vai acontecer do Kaká ficar sem condições de jogar, a torcida vai para que os deuses da Copa estejam do lado verde-amarelo - não seja somente o verde-amarelo dos sul-africanos - ajudando a seleção brasileira a consagrar mais uma dupla infernal, inesquecível, de outro planeta.
Espero que Kaká, o camisa 10 da seleção de 2010 seja o Pelé da Copa de 70, e Robinho que veste a camisa 11 seja igual nosso anjo das pernas tortas o 11 em 1958. Que Kaká encante o público com seu futebol clássico e elegante, que Robinho arrase “Joãos ninguéns” pelo mundial.
Ao escrever imaginei uma situação, imagina se tivéssemos Garrincha caindo em uma ponta, Robinho na outra, Kaká armando pelo meio e Pelé fazendo o que melhor sabia fazer? Claro esse esquadrão de ataque só pode ser formado no vídeo-game. Kaká e Robinho não chagam aos pés de Pelé e Garrincha, mas são os craques da nossa seleção... agora cai entre nós, já pensou se o ataque do video-game fosse de verdade?! Não custa sonhar e torcer para que a dupla desse ano chegue perto do Rei Pelé e do Anjo Mané.
A dupla que conquistou os mundiais de 58 e 62, jogou 40 partidas pela seleção, obtendo trinta e cinco vitorias e cinco empates. A dupla do século 21, sob a batuta do técnico Dunga, jogou trinta e duas vezes, com 28 vitórias e quatro empates. O retrospecto das duplas é quase igual, tirando o fato dos títulos mundiais de Mané e Pelé.
Nessa Copa, Robinho e Kaká podem se consagrar como astros eternos do futebol brasileiro e ser mais uma dupla histórica de títulos mundiais, como: Bebeto e Romário em 94; Pelé e Jairzinho em 70 ; Ronaldo e Rivaldo em 2002.
Mas o fato do Kaká não estar 100% preocupa o povo brasileiro, no caso (torço para que não aconteça) do astro de Real Madrid não conseguir jogar a Copa inteira, Robinho estaria preparado para ser o que Garrincha foi em 1962 quando Pelé se machucou? Eu acho que sim, Robinho vem voando e sendo decisivo na seleção, assim como Mané, faz arte com a bola nos pés, deixando a zaga adversária preocupada e abrindo espaços para os companheiros.
Como não vai acontecer do Kaká ficar sem condições de jogar, a torcida vai para que os deuses da Copa estejam do lado verde-amarelo - não seja somente o verde-amarelo dos sul-africanos - ajudando a seleção brasileira a consagrar mais uma dupla infernal, inesquecível, de outro planeta.
Espero que Kaká, o camisa 10 da seleção de 2010 seja o Pelé da Copa de 70, e Robinho que veste a camisa 11 seja igual nosso anjo das pernas tortas o 11 em 1958. Que Kaká encante o público com seu futebol clássico e elegante, que Robinho arrase “Joãos ninguéns” pelo mundial.
Ao escrever imaginei uma situação, imagina se tivéssemos Garrincha caindo em uma ponta, Robinho na outra, Kaká armando pelo meio e Pelé fazendo o que melhor sabia fazer? Claro esse esquadrão de ataque só pode ser formado no vídeo-game. Kaká e Robinho não chagam aos pés de Pelé e Garrincha, mas são os craques da nossa seleção... agora cai entre nós, já pensou se o ataque do video-game fosse de verdade?! Não custa sonhar e torcer para que a dupla desse ano chegue perto do Rei Pelé e do Anjo Mané.
Vai começar o maior espetáculo da terra!
Já se passaram 1.431 dias, cerca de 34.344 horas, desde o dia nove de julho de 2006, data da final da última copa do mundo, que foi disputada entre Itália e França; e hoje, onze de junho de 2010, a bola volta a rolar em um mundial. O jogo entre África do Sul e México é aguardado com muita expectativa, principalmente por todo o continente africano, que tem a honra de receber o maior evento futebolístico do mundo e, uma honra maior ainda por ser sede no ano que a competição idealizada por Jules Rimet completa 80 anos.
Antes mesmo da competição começar, polêmicas já foram criadas. A bola Jabulani vem recebendo criticas dos jogadores, que a chamam de “patricinha” e “jabumonstro”, mas a verdade é que a única coisa que nunca mudou na história do futebol é a forma da bola. Ela continua redonda.
Detalhes à parte, a festa está pronta para acontecer. Só um quesito faz o mundial da África perder parte do charme: o número de craques dentro de campo, que não vai ser tão grande como em outros mundiais, afinal de contas, Beckham, Ballack, Ronaldinho Gaúcho e Benzema não vão desfilar seus talentos no mundial. Uns por lesão, outros por opção do treinador. Independente disso, a elegância vai estar presente nos pés de Kaká, Xavi e Messi.
O maior espetáculo da terra começa, e junto com ele vem as mesmas perguntas de todos os mundiais: Quem vai ser o artilheiro? Qual a zebra desse ano? Quando que a Argentina vai cair fora?
No mundial da África, o primeiro a quebrar um recorde vai ser o técnico dos Bafana Bafana, Carlos Alberto Parreira. Ele treina a quinta seleção diferente em mundiais, esse ano. Outro recorde que pode ser quebrado em campos africanos, é o de maior artilheiro da história das copas. O posto atualmente é do Ronaldo fenômeno, com quinze tentos em quatro mundiais, porém o alemão Miroslav Klose, com dez gols, pode tomar o título de Ronaldo, caso balance seis vezes as redes adversárias.
Outra pergunta intrigante é se as maldições serão quebradas no mundial desse ano. Maldições como aquela, que diz que o melhor jogador do mundo nunca sai campeão da Copa, assim como aconteceu com Baggio em 1994, Ronaldo em 1998, Figo em 2002 e Ronaldinho Gaúcho em 2006. A torcida brasileira espera que essa maldição continue, pois assim a Argentina, que conta com Messi - o melhor jogador do mundo na atualidade - não irá tão longe. Por outro lado, a nação canarinho espera que a maldição que segue o campeão da Copa das Confederações seja quebrada, pois o mesmo País nunca ganhou o mundial seguinte. Já que o Brasil ganhou no ano passado, a reza é brava para que essa maldição seja quebrada.
A bola começa a rolar hoje, às 11:00 horas, e torcemos para que a seleção canarinho voe em campos africanos, pois somos 190 milhões unidos em um só coração torcendo pelo hexa!
Antes mesmo da competição começar, polêmicas já foram criadas. A bola Jabulani vem recebendo criticas dos jogadores, que a chamam de “patricinha” e “jabumonstro”, mas a verdade é que a única coisa que nunca mudou na história do futebol é a forma da bola. Ela continua redonda.
Detalhes à parte, a festa está pronta para acontecer. Só um quesito faz o mundial da África perder parte do charme: o número de craques dentro de campo, que não vai ser tão grande como em outros mundiais, afinal de contas, Beckham, Ballack, Ronaldinho Gaúcho e Benzema não vão desfilar seus talentos no mundial. Uns por lesão, outros por opção do treinador. Independente disso, a elegância vai estar presente nos pés de Kaká, Xavi e Messi.
O maior espetáculo da terra começa, e junto com ele vem as mesmas perguntas de todos os mundiais: Quem vai ser o artilheiro? Qual a zebra desse ano? Quando que a Argentina vai cair fora?
No mundial da África, o primeiro a quebrar um recorde vai ser o técnico dos Bafana Bafana, Carlos Alberto Parreira. Ele treina a quinta seleção diferente em mundiais, esse ano. Outro recorde que pode ser quebrado em campos africanos, é o de maior artilheiro da história das copas. O posto atualmente é do Ronaldo fenômeno, com quinze tentos em quatro mundiais, porém o alemão Miroslav Klose, com dez gols, pode tomar o título de Ronaldo, caso balance seis vezes as redes adversárias.
Outra pergunta intrigante é se as maldições serão quebradas no mundial desse ano. Maldições como aquela, que diz que o melhor jogador do mundo nunca sai campeão da Copa, assim como aconteceu com Baggio em 1994, Ronaldo em 1998, Figo em 2002 e Ronaldinho Gaúcho em 2006. A torcida brasileira espera que essa maldição continue, pois assim a Argentina, que conta com Messi - o melhor jogador do mundo na atualidade - não irá tão longe. Por outro lado, a nação canarinho espera que a maldição que segue o campeão da Copa das Confederações seja quebrada, pois o mesmo País nunca ganhou o mundial seguinte. Já que o Brasil ganhou no ano passado, a reza é brava para que essa maldição seja quebrada.
A bola começa a rolar hoje, às 11:00 horas, e torcemos para que a seleção canarinho voe em campos africanos, pois somos 190 milhões unidos em um só coração torcendo pelo hexa!
8 de junho de 2010
Dr. Na bola e simpatia
Matéria de: Danilo Georgete
Humberto Frasson

O Dr. Socrates, capitão da seleção brasileira na Copa de 82, um dos líderes da Democracia corinthiana, eleito pela FIFA um dos 125 melhores jogadores da história do futebol ainda vivos. Concedeu essa entrevista, onde falou sobre diversos assuntos, entre eles Corinthians e seleção brasileira.
Como se sente tendo feito parte daquela seleção da copa de 1982?R: Era um grupo fantástico, mas isso não tem muita importância não. O importante é o que você é, e não o que você faz ou participou.
O Dr. Vê alguma semelhança entre a seleção de 1982 e o movimento das diretas já?
R: Ambos uniram o povo brasileiro, só que na copa foi a arte, o futebol bonito que uniu o povo. Nas diretas já o povo se uniu em busca de seus direitos. A seleção era uma expressão artística que também faz parte da nossa cultura, já as diretas foi um movimento político, a única semelhança entre as duas é mostrar o quanto o povo brasileiro se une. Apesar de hoje em dia o brasileiro só se unir a cada quatro anos no mês da Copa.
Como fica o coração perto da Copa do Mundo?R: Torcendo pelo Brasil. Mas como hoje eu penso em futebol, escrevo sobre futebol, não posso me dar ao luxo de ser fanático. Quem tem visão crítica não pode ter visão apaixonada, tem que ser torcedor uma vez ou outra, apesar de querer ver o Brasil campeão sempre.
Aquele pênalti desperdiçado nas quartas de final da copa de 86 contra a França, foi um dos piores momentos da sua carreira?R: Nada disso! O duro foi perder a mulher que eu amava(risos). Pênalti todo mundo perde, é uma questão de trabalho, isso não vale nada. Entenda o seguinte, é muito mais importante uma lágrima do que um saco de dinheiro, é muito mais importante um carinho, um abraço, do que um gol na Copa do Mundo. É muito mais importante um amor, do que ser campeão do mundo.
A Democracia Corinthiana foi o maior movimento ideológico da história do futebol brasileiro, como esse fato afetou os jogadores do Clube a ponto de uma melhora dentro dos gramados? R: A Democracia corinthiana colocou uma postura educativa no clube, todos tinham o mesmo direito; do roupeiro ao jogador de maior salário, o valor dos votos era igual. Tínhamos uma postura igual a que todo o povo brasileiro queria, de igualdade. E outra, não mudou os jogadores, mudou os dirigentes, isso proporciona uma melhhora tremenda dentro de campo, começamos a jogar livres, sem pressão, tínhamos poder de decisão, isso ajuda o jogador.
O Dr. Acha que hoje o Brasil já é por completo um país democrático?R: Ainda não. Hoje só temos direito a voto, precisamos ter uma democracia social e econômica também, e estamos muito distante disso.
Hoje em dia tem algum jogador que te desperta o interesse de ver jogar?
R: Existe muitos jogadores bons, mas o Paulo Henrique Ganso é um jogador que se diferencia dos outros. É inteligente, enxerga bem os espaços no campo, é bonito de se ver jogar.
Hoje é difícil a torcida criar uma identidade com os jogadores, a culpa é do futebol comercial que existe?R: Hoje o jogador fica muito pouco tempo no clube, não dá pra criar uma paixão, amor, se você fica um dia na casa de alguém, tem que ficar anos. Hoje ninguém para em lugar nenhum é uma rotatividade muito grande, não dá pra criar um sentimento de quem fica 10 ou 15 anos como os jogadores ficavam no passado. A forma de relação clube e jogador atualmente é diferente, e isso tem que ser respeitado.
Falta personalidade nos jogadores atualmente? Já que muitos são manipulados por seus empresários.R: Não é falta de personalidade, é falta de educação. Tem é que dar educação pra esse povo, se não vai ficar por isso mesmo, vão ser manipulados pro resto da vida , e não só por empresários, mas por técnicos, dirigentes e até mesmo os filhos. Às vezes o filho de 3 anos é mais inteligente do que o cara de 30 que vai jogar no seu time, e isso ta claro, tem que educar esse povo, e não são só os jogadores, todos os brasileiros tem que ser educados. E a obrigação é do Estado.
O Dr jogou no Corinthians, Botafogo de ribeirão Preto , Fiorentina, Flamengo e Santos. Qual foi sua maior paixão no futebol?R: O Botafogo foi o clube que comecei, é um carinho especial, é como sua primeira namorada. O Corinthians foi o clube me deu visibilidade, foi aonde cheguei na seleção, foi minha primeira esposa, aquela que deixa marcas profundas no coração. A Fiorentina foi o time que me acolheu na Europa. O Flamengo é o Flamengo, qual jogador não sonha poder vestir a camisa dos clubes com maiores torcidas do Brasil?
Eu vesti as duas. O Santos, era o time que torcia na infância, então teve um sentimento especial. Mas a minha marca é Corinthiana, não que os outros tenham sido piores. Eu me apaixonei por todos.
Como foi conciliar o futebol com o curso de medicina?R: Foi difícil, mas dava mais importância a faculdade, o futebol foi um acidente de percurso na minha vida,um bom acidente por sinal. Só me dediquei mesmo ao futebol depois que concluí a faculdade, não que desprezava os treinamentos, mas sim a importância que eu dava foi maior.
Humberto Frasson

O Dr. Socrates, capitão da seleção brasileira na Copa de 82, um dos líderes da Democracia corinthiana, eleito pela FIFA um dos 125 melhores jogadores da história do futebol ainda vivos. Concedeu essa entrevista, onde falou sobre diversos assuntos, entre eles Corinthians e seleção brasileira.
Como se sente tendo feito parte daquela seleção da copa de 1982?R: Era um grupo fantástico, mas isso não tem muita importância não. O importante é o que você é, e não o que você faz ou participou.
O Dr. Vê alguma semelhança entre a seleção de 1982 e o movimento das diretas já?
R: Ambos uniram o povo brasileiro, só que na copa foi a arte, o futebol bonito que uniu o povo. Nas diretas já o povo se uniu em busca de seus direitos. A seleção era uma expressão artística que também faz parte da nossa cultura, já as diretas foi um movimento político, a única semelhança entre as duas é mostrar o quanto o povo brasileiro se une. Apesar de hoje em dia o brasileiro só se unir a cada quatro anos no mês da Copa.
Como fica o coração perto da Copa do Mundo?R: Torcendo pelo Brasil. Mas como hoje eu penso em futebol, escrevo sobre futebol, não posso me dar ao luxo de ser fanático. Quem tem visão crítica não pode ter visão apaixonada, tem que ser torcedor uma vez ou outra, apesar de querer ver o Brasil campeão sempre.
Aquele pênalti desperdiçado nas quartas de final da copa de 86 contra a França, foi um dos piores momentos da sua carreira?R: Nada disso! O duro foi perder a mulher que eu amava(risos). Pênalti todo mundo perde, é uma questão de trabalho, isso não vale nada. Entenda o seguinte, é muito mais importante uma lágrima do que um saco de dinheiro, é muito mais importante um carinho, um abraço, do que um gol na Copa do Mundo. É muito mais importante um amor, do que ser campeão do mundo.
A Democracia Corinthiana foi o maior movimento ideológico da história do futebol brasileiro, como esse fato afetou os jogadores do Clube a ponto de uma melhora dentro dos gramados? R: A Democracia corinthiana colocou uma postura educativa no clube, todos tinham o mesmo direito; do roupeiro ao jogador de maior salário, o valor dos votos era igual. Tínhamos uma postura igual a que todo o povo brasileiro queria, de igualdade. E outra, não mudou os jogadores, mudou os dirigentes, isso proporciona uma melhhora tremenda dentro de campo, começamos a jogar livres, sem pressão, tínhamos poder de decisão, isso ajuda o jogador.
O Dr. Acha que hoje o Brasil já é por completo um país democrático?R: Ainda não. Hoje só temos direito a voto, precisamos ter uma democracia social e econômica também, e estamos muito distante disso.
Hoje em dia tem algum jogador que te desperta o interesse de ver jogar?
R: Existe muitos jogadores bons, mas o Paulo Henrique Ganso é um jogador que se diferencia dos outros. É inteligente, enxerga bem os espaços no campo, é bonito de se ver jogar.
Hoje é difícil a torcida criar uma identidade com os jogadores, a culpa é do futebol comercial que existe?R: Hoje o jogador fica muito pouco tempo no clube, não dá pra criar uma paixão, amor, se você fica um dia na casa de alguém, tem que ficar anos. Hoje ninguém para em lugar nenhum é uma rotatividade muito grande, não dá pra criar um sentimento de quem fica 10 ou 15 anos como os jogadores ficavam no passado. A forma de relação clube e jogador atualmente é diferente, e isso tem que ser respeitado.
Falta personalidade nos jogadores atualmente? Já que muitos são manipulados por seus empresários.R: Não é falta de personalidade, é falta de educação. Tem é que dar educação pra esse povo, se não vai ficar por isso mesmo, vão ser manipulados pro resto da vida , e não só por empresários, mas por técnicos, dirigentes e até mesmo os filhos. Às vezes o filho de 3 anos é mais inteligente do que o cara de 30 que vai jogar no seu time, e isso ta claro, tem que educar esse povo, e não são só os jogadores, todos os brasileiros tem que ser educados. E a obrigação é do Estado.
O Dr jogou no Corinthians, Botafogo de ribeirão Preto , Fiorentina, Flamengo e Santos. Qual foi sua maior paixão no futebol?R: O Botafogo foi o clube que comecei, é um carinho especial, é como sua primeira namorada. O Corinthians foi o clube me deu visibilidade, foi aonde cheguei na seleção, foi minha primeira esposa, aquela que deixa marcas profundas no coração. A Fiorentina foi o time que me acolheu na Europa. O Flamengo é o Flamengo, qual jogador não sonha poder vestir a camisa dos clubes com maiores torcidas do Brasil?
Eu vesti as duas. O Santos, era o time que torcia na infância, então teve um sentimento especial. Mas a minha marca é Corinthiana, não que os outros tenham sido piores. Eu me apaixonei por todos.
Como foi conciliar o futebol com o curso de medicina?R: Foi difícil, mas dava mais importância a faculdade, o futebol foi um acidente de percurso na minha vida,um bom acidente por sinal. Só me dediquei mesmo ao futebol depois que concluí a faculdade, não que desprezava os treinamentos, mas sim a importância que eu dava foi maior.
25 de maio de 2010
O jogo arte x o pragmático
Depois de ler o texto opinativo de Humberto Frasson, que fazia uma pequena analogia sobre o jogo entre Santos e Grêmio pela Copa do Brasil, eu fiquei pensando: Será que existe arte e pragmatismo em outros esportes? Mas o que seria "pragmático"? Bom, não é futebol do grêmio. Esse é aguerrido. É diferente.
Pragmático é aquele time que não encanta, e muitas vezes na história do futebol vimos equipes assim serem campeãs. Um exemplo clássico é a Alemanha da Copa de '54, que fez o futebol pragmático ganhar dos "Mágicos Magiares", como era conhecida a famosa seleção húngara de Puskas e companhia.
No Basquete já vimos equipes darem show também. O que falar do “Dream Team” dos Estados Unidos nas olimpíadas de Barcelona (92)? Sim, eu sei que é covardia falar desse time, que é o maior de todos no Basquete, mas ele jogava bonito, dava espetáculo. Assim como a seleção brasileira de '70 (embora eu prefira a de '58 - o que é assunto para outra coluna).
E falando em seleção, a de '82, comandada pelo “mestre” Telê Santana, é a essência do futebol-arte. É uma poesia tão bela quanto às de Vinicius de Moraes. Mas aquele escrete não levou a Copa, só mais um dos pecados do certame da FIFA, assim como foi com o carrossel holandês no mundial de '78.
O "jogo arte" muitas vezes não vence, e as hilárias partidas de tênis do “Fininho” (Fernando Meligenni) só comprovam isso. O argentino erradicado no Brasil, que defendeu as cores verde e amarelo por toda a carreira, chegou a uma semifinal de Rolland Garros e, enquanto dava show, um garoto "manézinho da ilha" dava show na outra chave. Agora, imaginem o que seria da Phillip Chatrier (nome da quadra principal de Rolland Garros), se Guga e Melligeni tivessem disputado a final. Fininho ficou de fora, mas Guga levou para Floripa o primeiro dos três títulos do Grand Slam.
E o pragmático Michael Schumacer, heptacampeão mundial de fórmula 1? É melhor do que Senna, Mansell e Prost? Os três juntos somam um título a mais que Schumi, e davam espetáculo na fórmula 1. Não que Schumacer também não desse ( pois hoje não passa de um figurante dentro da F-1), mas a fama de Dick Vigarista não deixou ele ter o encanto do trio.
A maior incógnita dessa disputa épica entre "jogar o caviar" e "jogar o arroz e feijão" (sem menosprezar o prato preferido do brasileiro, é claro), é saber o que o público mais gosta. Esse ano a final da NBA provavelmente será entre o "Basquete de resultado" do Boston Celtics, contra a estupenda equipe de Kobe Bryant – O Lakers. Os americanos - como os brasileiros - gostam de um jogo bonito.
Hoje, o maior equilíbrio que encontro entre jogo arte e jogo feio, é na equipe da Inter de Milão (campeã de tudo na Europa). Quando precisou dar chutão contra o Barcelona, o fez; e na final da Champions League, jogou feio e bonito ao mesmo tempo.
Arte e pragmatismo andam lado a lado no mundo do esporte e, inevitavelmente, sempre ficam frente a frente.
Pragmático é aquele time que não encanta, e muitas vezes na história do futebol vimos equipes assim serem campeãs. Um exemplo clássico é a Alemanha da Copa de '54, que fez o futebol pragmático ganhar dos "Mágicos Magiares", como era conhecida a famosa seleção húngara de Puskas e companhia.
No Basquete já vimos equipes darem show também. O que falar do “Dream Team” dos Estados Unidos nas olimpíadas de Barcelona (92)? Sim, eu sei que é covardia falar desse time, que é o maior de todos no Basquete, mas ele jogava bonito, dava espetáculo. Assim como a seleção brasileira de '70 (embora eu prefira a de '58 - o que é assunto para outra coluna).
E falando em seleção, a de '82, comandada pelo “mestre” Telê Santana, é a essência do futebol-arte. É uma poesia tão bela quanto às de Vinicius de Moraes. Mas aquele escrete não levou a Copa, só mais um dos pecados do certame da FIFA, assim como foi com o carrossel holandês no mundial de '78.
O "jogo arte" muitas vezes não vence, e as hilárias partidas de tênis do “Fininho” (Fernando Meligenni) só comprovam isso. O argentino erradicado no Brasil, que defendeu as cores verde e amarelo por toda a carreira, chegou a uma semifinal de Rolland Garros e, enquanto dava show, um garoto "manézinho da ilha" dava show na outra chave. Agora, imaginem o que seria da Phillip Chatrier (nome da quadra principal de Rolland Garros), se Guga e Melligeni tivessem disputado a final. Fininho ficou de fora, mas Guga levou para Floripa o primeiro dos três títulos do Grand Slam.
E o pragmático Michael Schumacer, heptacampeão mundial de fórmula 1? É melhor do que Senna, Mansell e Prost? Os três juntos somam um título a mais que Schumi, e davam espetáculo na fórmula 1. Não que Schumacer também não desse ( pois hoje não passa de um figurante dentro da F-1), mas a fama de Dick Vigarista não deixou ele ter o encanto do trio.
A maior incógnita dessa disputa épica entre "jogar o caviar" e "jogar o arroz e feijão" (sem menosprezar o prato preferido do brasileiro, é claro), é saber o que o público mais gosta. Esse ano a final da NBA provavelmente será entre o "Basquete de resultado" do Boston Celtics, contra a estupenda equipe de Kobe Bryant – O Lakers. Os americanos - como os brasileiros - gostam de um jogo bonito.
Hoje, o maior equilíbrio que encontro entre jogo arte e jogo feio, é na equipe da Inter de Milão (campeã de tudo na Europa). Quando precisou dar chutão contra o Barcelona, o fez; e na final da Champions League, jogou feio e bonito ao mesmo tempo.
Arte e pragmatismo andam lado a lado no mundo do esporte e, inevitavelmente, sempre ficam frente a frente.
21 de maio de 2010
Os primeiros passos antes da Copa

A última sexta-feira foi diferente para o povo curitibano, a chegada da seleção brasileira mudou a rotina da capital. Em todos os lugares só se ouve uma assunto: “Pô, será que vamos conseguir ver os jogadores?”.
Na chegada no aeroporto Afonso Pena, os jogadores seguiram da pista para o ônibus, decepcionando cerca de 200 torcedores que se encontravam no saguão do aeroporto. Quando o veículo que levava os jogadores se aproximou do Ct do furacão o povo ficou animado, pediam desesperadamente para que os atletas abrissem o vidro. Todo esforço do público foi em vão, a impressão que deu é que os papéis se inverteram, o povo curitibano tachado de frio foi super caloroso, enquanto a seleção foi extremamente gelada.
Enquanto os amantes da seleção ainda se aglomeravam na entrada do Ct do Caju os jogadores faziam exames físicos. Os treinos aqui em Curitiba serão somente físicos, e os jogadores só devem ir a campo no domingo.
Muitos imaginam o que deve estar acontecendo dentro da concentração, eu tive o privilégio de saber, como podem ver nas fotos exclusivas (pelo menos por enquanto) os jogadores estão trabalhando firme a parte física.
O clima descontraído mostra a união do grupo convocado pelo técnico Dunga, agora é ficar na torcida para que Curitiba possa ter seu pedacinho na história de um título mundial brasileiro... E que venha o Hexa!
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